domingo, 11 de agosto de 2013

Eu o amo. Ele me odeia. Até quando?

Eu sempre amei meus aniversários. Acho que essa é definitivamente a pior, mais dolorosa, mais absurdamente longa e menos correspondida relação que eu já tive/tenho. A pior parte é que a grande filosofia de vida de aprender com os próprios erros parece que em nada se aplica a este caso. Venho desde o 22º dizendo para mim mesmo que o segredo é não ter expectativa alguma e agradecer o que ocorrer. Então vamos na ordem?

Eu nunca de fato tive um grande aniversário, mas nunca fiz tanta questão. É bem verdade que as comemorações enquanto terminava minha infância e começava minha adolescência deixaram bem claro o quanto eu era desprovido de qualquer contato social e afirmaram que os anos escolares seriam de longe os piores neste aspecto, mas isso nunca me atrapalhou em ficar feliz.

Entenda que a relação de amor de mim para meus aniversários e de ódio dos meus aniversários para mim não tem aparentemente nada a ver com o fato de estar envelhecendo e todo o grande e intragável desafio que tanto aparece na minha cabeça. A questão é simplesmente o poder que uma data pela qual eu tenho tanto carinho consegue sempre me dar um golpe maior a cada ano.

Aos 17 eu tive a minha segunda "festa" de aniversário. Um belo painel acompanhado de toda uma decoração e até hoje o meu aniversário favorito. Por ironia o último bom. Então voltemos à ordem.

26 de fevereiro de...

2006 - 18º aniversário num domingo de carnaval - o que pedia para ser a maior festa que eu já vi acabou se tornando um dia no Barra Shopping indo ao cinema. Destaque para o esforço magnífico da minha mãe e da minha avó em garantir que eu gostasse do dia. Eu até gostei. Mas se não fosse o bolo que nós 3 comemos sozinhos em casa ao retornar, nada mudaria de um domingo qualquer no shopping.

2007 - Várias vezes minha irmã não passou meu aniversário comigo por ser carnaval e ela estar viajando com o namorado. Mas não era carnaval. Foi meu primeiro aniversário depois que ela se casou. 3 meses separaram as duas datas. Uma briga dela com minha mãe por telefone foi o motivo da decisão de não aparecer. Ela tinha algum dinheiro para dar à minha mãe pelo pagamento de sabe-se lá o que. Então fui eu encarar ônibus e engarrafamento para ir ao centro buscar o valor e aproveitar a oportunidade para que ela me visse. Uma lembrança feliz: minha mãe comprou vários presentes e os espalhou pela casa toda e eu tive que catá-los.

2008 - 2 décadas completas e eu me sentia o "adulto". De longe foi o aniversário mais "social" que eu tive, com comemoração surpresa no trabalho e até no grupo da igreja. Por outro lado a minha falta de talento para reunir os parentes com quem me importava no dia do meu aniversário foi tanta que eu tive um total de 6 comemorações. Não me pergunte o motivo, mas não consigo considerar isso positivo. Foi a última vez que tive um bolo de aniversário. E não até o último mês eu percebi ou me importei com isso.

2009 - Má colocação de datas e eventos. Foi uma noite na verdade bem agradável, não fosse ter sido o mesmo dia que minha mãe percebeu que o filho dela não ia voltar pro armário. Enquanto todos se divertiam numa bela noite no Porcão (a única vez que fui lá), nada na verdade tinha graça.

2010 - Quem diria, eu voltaria a namorar uma mulher. Ao menos serviu para que todos vissem que namorar uma mulher definitivamente não é o segredo para minha felicidade. Estar com ela atrapalhou simplesmente todos os planos que eu tive para aquele dia, mantendo afastado até algumas amigas de coração que preferiram não ir a me causar brigas subsequentes por ciúmes. Lembrança feliz: minha mãe vendo mais um aniversário sendo arruinado, mais uma vez compensou no presente.

2011 - Fazer 23 anos e perceber que não se é mais tão jovem assim quanto já fui um dia foi o de menos. Eu tinha um relacionamento estável e era completamente apaixonado. Dividi o dia em 2 partes: um almoço em família e um jantar com teatro com namorado. Teria tudo sido simplesmente perfeito, não fosse a minha incrível habilidade de interpretar a reação a mim daqueles ao meu redor. Ali no teatro eu soube, mesmo sem nada dito ou feito: ele não me amava mais. Levei o quanto pude e consegui lutar por mais cinco meses. De qualquer forma, mais um aniversário que por fora estava maravilhoso, mas dentro do peito estava tudo desmoronado.

2012 - Brinquei com todos que podia que tinha um ano pra "aviadar" de vez e chegar à minha forma final. O último dia de carnaval e dia seguinte da festa de 1 ano da minha sobrinha. Eu tinha feito um belo dum cheesecake (não vale como bolo de aniversário, principalmente por eu mesmo tê-lo feito) na véspera antes de ir pra festa. Churrasco em casa com todos absurdamente cansados e à noite fui ver o cara com quem estava saindo pelos dois últimos meses. Aniversário com acompanhante num apartamento vazio deveria significar horas de sexo selvagem, mas o meu plano estava ameaçado pela frase "transei com dois caras durante a semana, dei pra um deles e estou ainda meio ardido". Cara, na boa, era meu aniversário. Eu precisava mesmo ouvir isso? Era a porra do meu aniversário, caralho! Foda-se que eu não era teu namorado, seu merda. Você tinha ao menos a obrigação de ser sensato, seu viadinho escroto. Fiz minha parte muito bem, banquei o compreensivo e que o perdoava. O fiz chorar de arrependimento. Nunca fui ativo com tanta agressividade na minha vida. saí de lá no dia seguinte cantando "Smile". Nunca mais o vi. Hoje ele namora e com frequência curte postagens aleatórias minhas e faz comentários de múltiplos sentidos. Estou a um passo de mandá-lo lamber uma boceta.

2013 - Nada como aprender a maior lição de vida este ano: "É na dificuldade que vemos quem realmente gosta da gente". Meu ex decidiu ficar a manhã comigo, já que não havia conseguido folga no trabalho. Ele dormiu a manhã toda e ainda brigou comigo por ter tentado acordá-lo para aproveitar a manhã. Como sempre confundiu ficar junto com sexo e com um berro de "não vou transar hoje" (como se ele transasse algum dia), virou pro lado e dormiu. Foi trabalhar e fiquei em casa a 1600km de distância de quem amava de verdade. Fui a um rodízio japonês só para dizer que fiz alguma coisa. Foi de longe o pior aniversário que já tive, a cada segundo dele.

Desde 1995 eu sonho com meu aniversário de 2014. Farei 26 anos dia 26 e sempre esperei por isso. Só de pensar eu fico feliz. Acho que já deveria ter aprendido, não?

"I wanna be big and let go of this grudge that's grown old."