domingo, 27 de março de 2016

Peças antigas

Por muito tempo eu sempre fiz questão de ser capaz de discernir dúvidas comuns. Sempre senti certo orgulho em conseguir vivenciar a diferença entre caro/barato e ter/não ter dinheiro para algo. Algo que sempre me ajudou a inflar um pouco o ego é saber que quando eu fico triste por não ter algo, eu não deixo de ficar feliz por ver que você tem. Eu apenas fico com a sensação interna que vai chegar a minha vez.

Tive essa sensação pela primeira vez aos 14. E então várias vezes depois. Fico esperando a minha vez, quietinho na minha. Vejo você ir e vir, apenas suas memórias mais cheias que a sua mala. E fico em paz com a sensação de que vai chegar minha vez.

Já estou com 28. Talvez certas coisas não sejam pra mim.

Eu não vejo problema em aceitar isso, mesmo que fique triste. Tal aceitação está longe de ser um aborrecimento.

Porém, não posso ignorar a constante sensação de que não tenho condições de fazer parte da sua vida. Digo por experiência, já fui excluído de vidas por não ser bom o bastante, instruído o bastante ou ainda independente o bastante.

Já causei transtorno por não ser cliente vip do mesmo banco e acabar privando de vinte minutos numa sala exclusiva no aeroporto. Senti bem o peso que eu era.

Vejo suas fotos sorridentes, registros (in) voluntários de aquisições cercados de boas memórias e fico verdadeiramente feliz por você ter tido uma experiência tão positiva.

Enquanto isso fico quietinho pensando se ainda terei a minha vez.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Olás!

Eu não vou começar dizendo que é uma verdadeira surpresa que eu não me tornei aquela pessoa sempre positiva e sorridente disposto a verem todos sempre bem. A quem estou querendo enganar? É bem verdade que, uns cinco anos atrás, quando estava na metade dos meus early-twenties eu era sempre absurdamente otimista. Vale notar que eu não fiz a travessia completa, eu não me considero nem hoje, nem em nenhum ponto da minha vida até agora, um pessimista. Na verdade eu estou, como há muito venho dizendo aqui, no meio do caminho. Eu não espero nada, nem bom nem ruim, nem feliz nem triste.

Este espaço vem sido, há alguns anos já,  uma área dedicada à minha falta de coragem em expressar o que me perturba no presente, seja o que for. E eu estava aqui pensando em como faz tempo que não escrevo... basicamente em lugar nenhum: nem aqui, nem no Blurrei e eis que eu me lembrei do meu primeiro blog: A Lixeira Pensante. Até hoje gosto do título, confesso. Comecei a escrever nele quando tinha dezoito anos e fui até os vinte e dois. É sempre uma era muito tenra na vida de uma pessoa e vale muito a pena lembrar.

(...)

Algo que este blog e a lixeira pensante possuem em comum: eu sempre dou espaço ao meu déficit de atenção e nunca o segundo parágrafo tem algo a ver com o primeiro e por então segue o padrão. Por um lado acho saudável ter onde não precisar reprimir o que é uma verdadeira dificuldade na minha vida. Porém, percebi uma coisa: comecei a lixeira pensante pouco antes do natal de 2006, o que já se aproxima da primeira década. I was eighteen, going nineteen e já sabia há muito tempo fazer essa referência, hoje são vinte e sete quase virando vinte e oito e quase nada ainda é a mesma coisa. Graças a Deus.

(...)

É a primeira vez em quatro anos que estou num emprego onde serei pago no mês de fevereiro. Espero não perder este emprego nunca. É uma porta que me faz muito feliz ter sido aberta e tento me empenhar sempre para manter assim. Porém o medo é sempre enorme e constante e, como sempre, tira meu sono com frequência.

(...)

Lendo um texto da Lixeira, fiquei com vontade de ouvir o Blackout da Britney Spears. Sinto-me bem melhor já nos primeiros noventa segundos de música e o fato que tirei muita coisa de mim ajudou bastante.

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Aaaah, gente. Quero saber do meu aniversário, não. Honestamente, foda-se. Finalmente cheguei ao ponto onde quero que ele se foda na mesma proporção que ele sempre tenta me foder. Cansei.

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Gimme gimme more, gimme more, gimme gimme more.