sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diário de Bordo: MDNA Tour

Estávamos os dois com horas de sobra na casa. Ele ganhou folga. Eu fui descontado. Mas tudo por um bem maior.

O despertador invadiu a paz do meu descanso às 02 da manhã e se não fosse a empolgação pelo que tínhamos à nossa frente, ficaríamos na cama até o sol se por de novo.

Um ligeiro stress causado pela localização das roupas para esquentar o sangue e acordar e às 03 o táxi nos esperava na porta do prédio.

E então começou a roubalheira nos taxímetros. Primeiro foram R$35 até o aeroporto. Interessante foi ver como os taxistas em Goiânia são calmos em relação à segurança. Houveram pelo menos sete momentos em que a minha neurose carioca me fez quase deitar no banco e me proteger. E lá ia o taxista totalmente tranquilo.

Tivemos um pouco de antecedência, o que ajudou a aumentar a fome. Como fomos de Gol, continuamos com fome até pousar em São Paulo. Sei que é um vôo de apenas 1h10min, mas eu juro que dormi um dia inteiro sentado naquela poltrona mais gostosa que delícia cremosa.

sábado, 3 de novembro de 2012

O maior dos problemas

Aos 16 eu entendi o que significava ser mortal. Com sorte fechar seus olhos e nunca mais abri-los. Eu nunca soube lidar com isso. Não adianta falar que é inevitável pois é apenas isso que eu entendo. E é exatamente isso que me põe neste estado.

Sabe, um grande defeito meu é sempre conseguir aquilo que almejo, seja cedo ou tarde.

Hoje eu espero viver o bastante para desejar, em alguma hora, de fato deixar este corpo.

Aos 21 eu soube como era a sensação de "sair de você". Foi um desmaio breve, mas a última consciência gravada na memória foi me agarrar a quem estava do meu lado e implorar que me segurasse. Eu ainda não sabia aceitar o que não podia mudar.

Quando estava sentado naquela sala com mais 40 adolescentes e uma professora idosa que explicava genética, olhando para o jabuti na capa de algum livro emprestado que estava na minha mesa eu experimentei pela primeira vez o que é o verdadeiro pânico. É algo tão pavoroso que você se controla para não berrar. Compreender uma verdade que você sabe que vai te acertar apenas numa questão de tempo muda completamente o seu raciocínio. A pior parte disso é perceber que se trata de algo tão íntimo, tão interno, que nenhuma das 41 pessoas ao seu redor sequer nota que há algo errado com você.

Dizer que revivo este momento é uma forma tão branda de tratar esta memória que chega a ser um insulto. De fato, ela me assombra quase diariamente, pelo menos já tirei muita coisa boa dela. A principal foi a compreensão de que cada um tem direito à sua dor, mas vou falar mais sobre isso depois.

O importante é dizer que, ao mesmo tempo que realmente entendi que ninguém dura pra sempre, a única ideia que me ocorreu foi a de fazer algo tão estrondosamente incrível que pelo menos meu nome e minha memória sejam lembrados. Que o mundo saiba quem eu sou, ou quem eu fui.

Às vezes essa fé de deixar uma marca oscila, principalmente quando percebemos que não conseguimos nem influenciar quem nos rodeia. Quando vemos que nos rejeitam antes de nos olharem. 

Mas ainda assim tenho fé que um dia vou conseguir.

"I was here. I lived. I loved."

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Quanta confiança?!

Não entendo essa péssima falsa segurança que o blog me dá. Quantas vezes já cheguei na timeline do Facebook ou do Twitter com um trilhão de pensamentos na cabeça, pensando tanto em como me expressar e, então, percebia que na verdade não era da conta de ninguém o que se passa comigo.

Mas, afinal, qual é a diferença do blog? Se você não me conhece, está formando sua opinião sobre mim lendo isso (seja negativa ou não realmente não me importa) e, se me conhece, está pensando em inúmeras coisas a me dizer. No pior dos casos, está pensando na sorte que teve em se afastar de mim.

Acho que sou grato pelas duas atitudes.

Há tanto a contar e, sem nem entender a origem, há um campo de força barrando tudo e jogando de volta pra mim.

Será que consigo mudar isso?

"Será preciso ficar só pra se viver?"

A inveja

Às vezes a vida realmente parece um filme e em muitas ocasiões os gêneros mudam. Se você dá asas à sua imaginação, é capaz até de ter um narrador de vez em quando.

E foi basicamente o que me aconteceu.

Vi uma menina sentada à porta de seu trabalho em um choro desesperado ao receber notícia que um amigo de proximidade por mim desconhecida havia perdido a vida por conta do furacão Sandy.

A cena era de cortar o coração de qualquer pessoa.

Eu apenas olhava pra ela.

Por meio minuto nenhum pensamento me tomou a cabeça até que uma semente de inveja surgiu e tomou todo o espaço.

Inveja pelo sentimento. Inveja pela demonstração. Inveja por ser uma pessoa normal que chora desesperada ao perder um amigo. Inveja que não me fazia querer tirar nada dela, apenas inveja que me deixava na dúvida de qual enredo do meu filme eu esqueci de editar.

Como disse James McAvoy em O Procurado, " ultimamente só o que me preocupa é que eu não me preocupo com nada". Diferente de McAvoy, o meu personagem já está assim há tanto tempo que já parece uma segunda natureza.


"I got away from you, I never thought I would".

Do título

Então eu decidi por batizar este lugar de "Naked Floor", do inglës "Chão Vazio". A intenção original era "Confessions on a Naked Floor", fazendo alusão à Madonna, mas resolvi reduzir.

Se algum dia você ler qualquer postagem desse blog, será fruto natural do destino que lhe trouxe aqui.

Tenho intenções muito boas para este espaço, mas vou deixar que ele mesmo tome conta.

"Come along for the ride".