sábado, 3 de novembro de 2012

O maior dos problemas

Aos 16 eu entendi o que significava ser mortal. Com sorte fechar seus olhos e nunca mais abri-los. Eu nunca soube lidar com isso. Não adianta falar que é inevitável pois é apenas isso que eu entendo. E é exatamente isso que me põe neste estado.

Sabe, um grande defeito meu é sempre conseguir aquilo que almejo, seja cedo ou tarde.

Hoje eu espero viver o bastante para desejar, em alguma hora, de fato deixar este corpo.

Aos 21 eu soube como era a sensação de "sair de você". Foi um desmaio breve, mas a última consciência gravada na memória foi me agarrar a quem estava do meu lado e implorar que me segurasse. Eu ainda não sabia aceitar o que não podia mudar.

Quando estava sentado naquela sala com mais 40 adolescentes e uma professora idosa que explicava genética, olhando para o jabuti na capa de algum livro emprestado que estava na minha mesa eu experimentei pela primeira vez o que é o verdadeiro pânico. É algo tão pavoroso que você se controla para não berrar. Compreender uma verdade que você sabe que vai te acertar apenas numa questão de tempo muda completamente o seu raciocínio. A pior parte disso é perceber que se trata de algo tão íntimo, tão interno, que nenhuma das 41 pessoas ao seu redor sequer nota que há algo errado com você.

Dizer que revivo este momento é uma forma tão branda de tratar esta memória que chega a ser um insulto. De fato, ela me assombra quase diariamente, pelo menos já tirei muita coisa boa dela. A principal foi a compreensão de que cada um tem direito à sua dor, mas vou falar mais sobre isso depois.

O importante é dizer que, ao mesmo tempo que realmente entendi que ninguém dura pra sempre, a única ideia que me ocorreu foi a de fazer algo tão estrondosamente incrível que pelo menos meu nome e minha memória sejam lembrados. Que o mundo saiba quem eu sou, ou quem eu fui.

Às vezes essa fé de deixar uma marca oscila, principalmente quando percebemos que não conseguimos nem influenciar quem nos rodeia. Quando vemos que nos rejeitam antes de nos olharem. 

Mas ainda assim tenho fé que um dia vou conseguir.

"I was here. I lived. I loved."

Nenhum comentário:

Postar um comentário