domingo, 2 de junho de 2013

Sobre o presente que eu não vejo a hora de se tornar passado.

Acho que, ao fim de tudo isso, a maior lição que eu vou tirar é de não perguntar como alguém está ao vê-lo (a) triste. Oferecer ajuda e estar de prontidão sempre, mas não fazer com que a pessoa reviva tudo que aconteceu para tirá-la tão gravemente de seu eixo.

Entendo a curiosidade. Sei que os verdadeiros amigos acham que sabendo da história poderão ajudar melhor, mas não ter um instante de folga mental é complicado.

Então vamos a tudo na ordem devida e vamos começar no dia que eu achei que já tinha ido até onde podia e era hora de ir embora. Isso foi em 12/06/2012, exato um mês antes do meu último dia de trabalho no semestre. Por conta da amizade e da valorização eu fui impedido de fazer valer minha vontade e aprendi naquele dia o poder da confirmação de ideias positivas.

Tive uma "última tentativa" de encontrar quem me fizesse bem e, se naquele dia falhasse, estava pronto para passar um bom tempo sem tentar nada. Acabei encontrando e entrando num ritmo de decisões que me colocaram, em 25/07/2012, "casado", promovido e transferido para um lugar onde jamais sequer havia pisado.

Espero que você tenha notado o espaço de tempo e veja que não chega nem perto de 2 meses entre o primeiro contato e o "casamento". Eu já havia feito isso antes da pior forma possível e não entendi como foi que acabei por contradizer meu maior princípio.

Para que você entenda meu motivo maior, eu sou um homem que acredita que meu futuro está ao lado de outro, na nossa casa, construindo a nossa vida. Embora hoje eu esteja com mais calma do que nunca, eu nunca deixei de acreditar nisso e, por tal motivo, continuo sempre tentando.

Por favor, não me perguntem como foi meu período de adaptação, pois eu não tive direito a ele. Desembarquei às 22:00 e 10 horas depois eu já estava trabalhando. Foi determinado o meu "poder" na empresa e começou o trabalho pesado. Frustrações como alunos que rejeitavam ter regras (como não poder mais pagar no cartão de crédito a parcela do curso ou o novo sistema de boletos, similar aos das faculdades, que cedem a bolsa de desconto somente se pago no vencimento) vieram acompanhadas de sucessos do tipo ter a dívida mensal da empresa liquidada no terceiro mês, ou ainda ter escolhido professores que caíram nas graças dos alunos, pois eles haviam sido bem selecionados e bem treinados.

Mas eu era um péssimo funcionário. Meu horário das 9:00 às 21:00 com uma hora de almoço nunca foi cumprido! Eu sempre chegava 9:08. Estava sempre absurdamente atrasado. Também me atrasava para ir embora, muitas vezes fechando a escola somente às 22:00 para terminar alguma coisa. Isso sem contar as absurdas vezes em que eu ousei trabalhar o dia inteiro e atropelei minha hora de almoço.

Mas eu era um funcionário pior ainda que isso! Eu fiquei mais de duas semanas sem fazer nenhuma ação comercial externa! Mas fiz pior!!! Quando eu fui fazer, ousei me ausentar da escola e não ver o que acontecia o tempo todo!

Acho que ainda não expliquei o tipo de pior funcionário do mundo que eu era. Como combinado antes da minha chegada, eu reportava cada acontecimento à minha chefe no Rio. Eu expus a ela os problemas infinitos que a escola tinha. Fiz pior! No dia que meu armário desmontou e quase rasgou a minha mão e meu então companheiro me incumbiu de reparar o objeto, a minha entrada apenas às 14h foi um verdadeiro ultraje.

Isso sem mencionar os 2 dias que eu tirei de folga para ir ver o show da Madonna depois de ter trabalhado 9 dias seguidos.

E não vamos esquecer a cereja do bolo: eu deixava meu terno guardado na minha sala e ia trabalhar com camisa de malha e calça jeans. Eu era realmente um funcionário que envergonhava a empresa ao não ficar 12 horas por dia dentro de um terno enfiado numa sala onde ninguém me via.

Por isso eu fiz por merecer ter meu salário cortado pela metade na virada do ano. Eu mereci ser ludibriado a continuar trabalhando 12 horas por dia, mesmo meu horário sendo de apenas 8. Afinal,  quando eu entrei às 8 e, sem hora de almoço, eu saí às 16, eu larguei a escola no meio do meu horário. Ai de mim que achava que 8+8=16 e fui embora! Eu fiz por merecer perder controle sobre as minhas contas e ser cada vez mais menosprezado dentro da empresa. Eu fiz por onde ficar sem telefone, sem internet, sem as compras que eu gostava, sem ir a lugar algum somente para manter em dia meu aluguel e o supermercado.

Quando eu achei que já havia sido punido o bastante por todas as minhas ofensas graves contra a saúde da empresa (afinal que gerente é esse que deixa o terno no escritório ao invés de andar com ele dentro do ônibus?) eu criei coragem e encarei a dificuldade num nível ainda mais extremo e abri mão da metade que ainda me restava.

Da mesma amizade que me impediu de sair da empresa em junho, que me ajudou a cada instante onde tudo apertava, veio a frase que me fez ver que eu tinha um cadáver dentro de casa: o meu relacionamento.

"É na dificuldade que a gente vê quem gosta da gente". E foi na dificuldade que o carinho e companheirismo deram lugar à frieza e exigência. Eu tinha um ser agonizante em constante contato comigo e eu fiz a única coisa que poderia me salvar: eu dei o tiro final.

Levei minha crueldade ao máximo, exigindo que ele simplesmente arrumasse tudo que tinha e se retirasse. Reconheci meu exagero, mas ainda fiz valer minha vontade. Você pode dizer que eu não tenho coração, mas o que eu não tinha era coragem para dividir um teto com quem só me dizia "bom dia", "boa tarde", "boa noite".

No dia que ele foi embora eu sentia o meu rosto pesado. A falta da sensação da aliança no meu dedo ainda me persegue e eu pondero seriamente passar a usar anéis só por esta parte. Sim, sinto falta de um círculo de aço no meu dedo, mas não da pessoa que o colocou lá. E essa ideia não me incomoda nem um pouco.

Já no dia 09/05/2013 minha mãe chega a Goiânia com uma Kombi alugada para colocarmos tudo que eu tenho que podia trazer (voltagens sendo diferentes, eu só teimei em trazer o meu ventilador, que ela ainda vai trocar a voltagem :D) e quando eu achei que estava acabando, minha inexperiência com imobiliárias me trouxe problemas que eu jamais sonharia em ter e que eu estou o tempo todo pensando em como resolver.

Não voltei sem emprego, mas meu psicológico me trava mais do que eu achei que ele tinha esse poder. Passei os quase 6 anos da minha vida profissional me esforçando ao máximo pra ser sempre o melhor que posso e este profissional nunca fora tão magoado sem explicações sensatas. Simplesmente não consigo voltar pra mesma empresa. Estou magoado além da minha própria compreensão. E não sei como encarar isso.

"Where do we go from here? This isn't where we intended to be".

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De qualquer forma estou esperançoso. Amigos novos e sentimentos puros e leves daqueles que já havia me esquecido estão me encontrando de novo. Eu quero aproveitar isso. O mais legal é que estou sabendo simplesmente tratar isso como uma nova página e não uma ponte. Não é que a gente de fato amadurece?

"If I ain't got nothing, I don't give a damn". - "Well, baby, now you do".

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