sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diário de Bordo: MDNA Tour

Estávamos os dois com horas de sobra na casa. Ele ganhou folga. Eu fui descontado. Mas tudo por um bem maior.

O despertador invadiu a paz do meu descanso às 02 da manhã e se não fosse a empolgação pelo que tínhamos à nossa frente, ficaríamos na cama até o sol se por de novo.

Um ligeiro stress causado pela localização das roupas para esquentar o sangue e acordar e às 03 o táxi nos esperava na porta do prédio.

E então começou a roubalheira nos taxímetros. Primeiro foram R$35 até o aeroporto. Interessante foi ver como os taxistas em Goiânia são calmos em relação à segurança. Houveram pelo menos sete momentos em que a minha neurose carioca me fez quase deitar no banco e me proteger. E lá ia o taxista totalmente tranquilo.

Tivemos um pouco de antecedência, o que ajudou a aumentar a fome. Como fomos de Gol, continuamos com fome até pousar em São Paulo. Sei que é um vôo de apenas 1h10min, mas eu juro que dormi um dia inteiro sentado naquela poltrona mais gostosa que delícia cremosa.



Então mais de R$25 para ir de Congonhas ao Conjunto Nacional. A tortura nem foi essa. Nada vai superar a dor de ver que não se pode comer um BigMac antes das 11 da manhã na capital paulista! Aquilo foi um disparate ao extremo! Ainda bem que tinha um Bob's na outra esquina.

Mas aí eu causei vergonha. Pedi um BigBob que ficou tão caro, mas tão caro, que quando a atendente foi solicitar o sanduíche, eu saí correndo em direção a um café colonial assaltante (mas do mesmo valor do BigBob) dentro da própria galeria.

Café colonial é a melhor coisa do mundo pra um organismo que tá achando que 8 da manhã já é almoço. Comemos tanto que passamos o dia satisfeitos (com um pãozinho na mochila pra depois). Tentamos não dormir sentados no banco esperando a Livraria Cultura abrir e devo dizer que o esforço nem valeu tanto a pena assim. Pra não fazer desfeita, saímos dela com Stripped e o primeiro álbum da Ana Carolina.

E vamos pra Galeria do Rock! O fantasma de rockeiro que ainda habita o corpo dele mal conseguia se conter. Seria de tão mais ajuda se ele ao menos soubesse o endereço certo. Afinal, minha memória e nada só não são a mesma coisa pois nada seria muito mais que minha memória. E é ÓBVIO que dois anos depois eu jamais ia lembrar onde era direito. Na confusão infinita de datas, 24 de maio virou 25 de março e lá fomos nós!

Pra piorar a situação? Descemos do metrô na Anhangabaú, ou seja, uma estação de distância do destino certo. Andamos PARA CARALEEEEEO pra ter que voltar tudo. Chegamos ao paraíso (não a galeria, mas o paraíso de fato, porque a filha da puta da ladeira dos infernos que a gente teve que subir lavou todos os meus pecados) e então encontramos.... uma LOJAS AMERICANAS!!! Lógico que os cariocas suburbanos se perderam!

Encontramos um dos filmes do Harry Potter nas capas novas e nos colocamos à busca de todos os oito! SIM, nós olhamos CADA UM dos DVDs de estojo preto na loja. Encontramos os seis primeiros e.......

desistimos. Ia ficar muito caro e poderíamos comprar tudo aqui em Goiânia. Foi uma decisão inteligente.

Continuamos andando e alcançamos a galeria. A necessidade idosa de mijar nos levou ao subsolo para pagar pelo banheiro. Tirando essa parte, não foi a melhor escolha. Pois o subsolo parecia mais a Galeria do Rap. Lojas e mais lojas de CDs raros me deram horas de distração e alegria de encontrar uma edição bem rara do primeiro CD da Celine Dion que eu tive (agora já são 3 versões).

Entendemos na rua o motivo de tanta violência com homossexuais em São Paulo. E a gente achava que o povo de Goiânia que dava muita pinta.

Voltamos ao metrô na direção do Morumbi, pois o Ibis ficava de frente ao shopping e o estádio era perto.

"Vamos deixar o shopping pra amanhã".

Ainda bem que eu não segui o conselho. Decidi cortar o shopping para matar dois coelhos numa cajadada só: ver o shopping e cortar caminho até o hotel.

Do outro lado do shopping vimos um vendedor ambulante com camisas para o show. Estampas inteiras e dos dois lados. Uma pra cada e vamos embora!

O Ibis Budget (antigo Formule 1) não tinha mais vagas e o Ibis normal me cobrou R$320 por uma diária.

"Vamos voltar ao shopping".

Voltamos à Saraiva para procurar um hotel que não fosse tão caro. Sem sucesso. Apenas motéis que não nos deixariam sair e voltar depois do show.

"Vamos comer algo" foi a frase que me deu o pior BigMac da minha vida. Mas com a fome que eu tava, tava uma delícia.

"Quer saber? Vamos logo pra essa porra de show e depois a gente vê o que arranja". Aaah, se fosse tão fácil achar um táxi. Conhecemos na rua um rapaz que estava indo para o show e nos convidou a dividir o táxi. Ainda bem, pois ainda deu R$10 pra cada um.

Entramos com calma. Pelo menos tentamos. Lembra dos CDs raros comprados na Galeria do Rock? O PM não nos deixou entrar pois disse que numa confusão poderia virar uma lâmina. Eu quase perguntei "Que tipo de vândalo vai fazer uma lâmina de um CD?", mas aí lembrei que estava em São Paulo e desisti da pergunta. O PM me informou que um estacionamento vizinho do estádio tinha guarda-volumes.

Ele sacaneou o turista. Não havia sequer estacionamento vizinho ao estádio, muito menos guarda-volume. Andamos e andamos perguntando a tudo e a todos. Até acharmos um shopping disfarçado de posto de gasolina (só faltava o cinema, pois tinha Subway, Starbucks e Livraria Laselva). O Subway dizia ser 24h. Entramos na Laselva e tratamos de fazer amizade com as meninas da loja. Papo vai, papo vem e elas se ofereceram a guardar a mochila até o dia seguinte. O lado bom: ver o show sem peso nas costas. O lado ruim: foi inútil levar troca de camisa e roupa íntima.

Para agradecer, comprei o livro Madonna 50 Anos por apenas 34 reais. Fiquei feliz. Sempre quis ter o livro e a situação foi mais do que adequada.

Paramos no Subway para abastecer o tanque e voltamos ao show. Aaah, a emoção de ver o palco da Madonna montado. Infelizmente não superou a sensação de 2008 ao ver os dois Ms enormes da Sticky & Sweet Tour. Paramos na loja oficial e NADA DE TOURBOOK! Vamos comprar online.

Ficamos perto da grade, mas ele foi ao banheiro e voltou dizendo que mais para trás dava para ver bem. Pra mim, ótimo. EU tenho 1,85m, ele não. Visitamos as 3 lojinhas oficiais e fizemos amizades de infância com as vendedoras em cada uma delas. Inveja filha da puta. Eles viam o show e ainda GANHAVAM pra isso. Me lembrei de trabalhar pra T4F na próxima turnê.

De qualquer forma saí de lá com uma Ecobag oficial com a foto do meio do encarte do MDNA.

As oito horas vieram e se foram sem nem sinal do DJ que abriria o show. Honestamente ele foi totalmente dispensável. Perto do fim de sua apresentação veio a chuva. E que chuva. Esfriou bastante. Até demais na verdade. E por conta dela o show atrasou. E MUITO.

Não sei o quanto seria exagero dizer que estávamos quase perdendo as esperanças e já chegando ao ápice da larica (fumante passivo só se fode. Nem sei quantos baseados eu inalei naquele lugar) as luzes se apagaram de novo e começou a terceira melhor noite do ano. Duas noites depois ainda estou sem voz de tanto que me entreguei a cada momento.

Passamos por Girl Gone Wild, Revolver, Gang Bang ('cause I wanna see him die OVER AND OVER AND OVER AND OVER AND OVER AND OVER AND OVER AND OVER. NOW DRIIIIVE, BITCH!).

O segundo bloco com a incrível versão de Open Your Heart, o presente de Holiday pra compensar o atraso.

"Come together in every nation.

I CAN'T HEAR YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!

SÃO PAULO CAN'T HEAR YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!

BRAZIL CAN'T HEAR YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!

THE WORLD CAN'T HEAR YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!

GOD CAN'T HEAR YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!

I LOVE YOU, MOTHERFUCKERS!

IN EVERY NATION!"

Para então irmos a Masterpiece com o ápice:

"'Cause after all......

Fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain, fuck the rain...

Nothing's indestructableeeeeee".

Sim, ela acabou com o clímax, mas foi perfeito.

"Estoy caliente. No I'm not gonna speak Spanish tonight". E então ela mostra que aprendeu algumas palavras em português.

"Safadinha.... gostosa... (no melhor estilo carioca chiando o S)... caraaalho!"

Express Yourself com Give Me All Your Luvin'. O bloco anos 90 com Justify My Love, Vogue, Candy Shop (2008, eu sei, mas totalmente adaptada) e Human Nature. Sem mostrar o seio, mas sem calça e com SAFADINHA tatuada nas costas. Acho que ela esqueceu de levar o piano para São Paulo, pois os dois shows ficaram sem Like a Virgin e Love Spent. Ainda bem que estará no Blu-Ray.

O show prosseguiu ao fim de forma incrível e Like a Prayer foi mais uma vez inesquecível.

Tive um pequeno azar, pois fiquei com os pés inclinados para cima o show todo. Ao final, nem sequer tinha forças para mover as pernas. E ainda não tínhamos onde dormir. O plano era passar a madrugada no Subway e esperar a Laselva abrir para pegarmos a mochila.

Parecia que o estádio INTEIRO estava descendo a MESMA rua.

"Nós não temos a menor pressa. Vamos sentar aqui no meio-fio e esperar essa muvuca ir embora."

A melhor parte foi ter aberto o sapato. A bota nova soltou o solado e arrebentou o cadarço. Uma verdadeira heroína de guerra.

Um paulista com todo o seu sotaque vendia "água mineeraaal. Compraquiii" quase chorando. R$10 viraram 4 garrafas. E seguimos pro Subway. Fechado. Filhos da puta.

A cada guarda eu perguntava "você sabe onde tem um hotel, pousada, motel, pensão, qualquer coisa que tenha uma cama que a gente possa dormir? Chegamos em São Paulo hoje e ficamos sem hotel. Vamos embora amanhã". Incrível como nem eles sabiam onde tinha algo. Seguimos caminho até que não aguentei mais e paramos num outro posto e sentamos ao lado de uma menina.

Como quem não tem nada a perder, ele vira pra ela e faz a mesma pergunta que tanto fizemos em tão pouco tempo. Eis que ela abre no celular o aplicativo "Encontre Motel" e a gente cai na risada. Ela achou um e fomos de táxi até lá.

O dinheiro chegando ao fim e pegamos o primeiro quarto disponível. Roupas fora (a camisa suada e molhada de chuva precisava secar até de manhã, pois toda a roupa estava dormindo em paz na Laselva) e um banho rápido. Sei que pus o travesseiro dobrado embaixo do pé para auxiliar na circulação. Acordei com ele embaixo da minha cabeça. Jamais saberei explicar.

Não dormi. Morri e ressuscitei. Tentamos ir a pé de volta pro posto (seria mais ou menos 2km), mas não tinha condições de dar mais um passo e pegamos o primeiro táxi. Deu uns R$10 até a Laselva para pegamos nossa mochila. Enquanto eu entrava na loja, ele negociou um preço até Congonhas. Ainda bem, pois seria uns R$20 a mais.

Não, nosso vôo não era de Congonhas. Uma desatenção na compra pôs a partida para Guarulhos. Ainda bem que a Gol tem um traslado grátis entre um aeroporto e outro. O que foi ótimo, pois dormimos a viagem toda. Tanto no ônibus quando no avião.

Os últimos R$25 foram embora no lanche em Guarulhos e cruzamos Goiânia de ônibus às 4 da tarde, num sol insuportável.

Esqueci de ligar para minha mãe e avisar que estava vivo. Pra ser honesto, nem sabia se estava. Foram 13 horas de sono na minha perfeita cama.

E assim foi a odisséia MDNA Tour. Faria cada parte desses dois dias de novo sem nem hesitar. Como disse mais acima, foi a 3ª melhor noite do ano.

"I wanna have a kiki".


Um comentário:

  1. Uau, foi literalmente uma odisseia, kkkkk! Na próxima vê se lembra que você tem um amigo em SP que pode servir pra vocês de guia turístico, tá!? Rsrsrs... E a confusão de datas da 25 de Março e da 24 de Maio é comum até pra quem também é daqui, então nem esquenta a cabeça com isso... Sobre as gays do Centro, melhor nem comentar... Aquela não é a referência mais apropriada dos homossexuais de SP, mas independente disso a violência é um risco que todos correm, lá ou em qualquer outro canto da cidade, infelizmente... E que venha logo uma nova era e outra tour (com passagem pelo Brasil, por favor)!

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